Quem somos

A Associação Floresta Protegida (AFP) é uma organização indígena sem fins lucrativos que representa atualmente 17 comunidades (cerca de 3000 indígenas) do Povo Mẽbêngôkre / Kayapó localizadas no sul do estado do Pará. Treze aldeias estão localizadas na Terra Indígena Kayapó (Apêjti, Àukre, Kẽndjêrêkrã, Kôkrajmôrô, Krẽmajti, Kubẽnkrãkêj, Môjkàràkô, Ngômejti, Pykarãrãkre, Pykatô, Pykatum, Rikaro e Tepdjati), duas estão localizadas na Terra Indígena Mẽkrãgnoti (Kawatire e Kẽndjam) e duas na Terra Indígena Las Casas (Tekrejarôtire e Kaprãnkrere).

A AFP foi criada em 2002, com os objetivos de fortalecer as comunidades Mẽbêngôkre / Kayapó para a proteção de seus territórios e recursos naturais, apoiar o desenvolvimento de alternativas sustentáveis de geração de renda e valorizar o patrimônio cultural desta etnia. A Associação desempenha importante papel como mediadora e facilitadora da relação dos Mẽbêngôkre com a sociedade envolvente, através da captação e gestão de recursos para projetos estruturantes, da divulgação e valorização da cultura Mẽbêngôkre, assim como da defesa dos direitos indígenas e busca por melhorias na qualidade de vida das aldeias que representa.

A AFP tem sua sede na cidade de Tucumã e as comunidades associadas estão localizadas nos municípios de Altamira, Ourilândia do Norte, São Félix do Xingu, Pau D’arco, Redenção e Banach, todos no estado do Pará.

Missão e Princípios

Apoiar a autonomia política e econômica do Povo Mẽbêngôkre / Kayapó, a proteção e conservação de seus territórios, a defesa dos direitos indígenas e a promoção, valorização e difusão da cultura Mẽbêngôkre, tendo como princípios norteadores de sua atuação a legalidade, a sustentabilidade, o diálogo, a participação e a cooperação das comunidades que representa.

Os Mẽbêngôkre / Kayapó

Nós nos chamamos Mẽbêngôkre, mas nosso povo também é muito conhecido pelo nome “Kayapó”, que na verdade é como outros povos, de língua Tupi, nos chamavam. O nome Kayapó ficou muito comum, e hoje nós mesmos nos chamamos de Kayapó algumas vezes, embora Mẽbêngôkre seja nossa autodenominação e a forma pela qual como preferimos ser chamados.

Falamos uma língua da família Jê e vivemos em aldeias com tamanhos variados, reunindo de 50 a 600 pessoas. No centro de nossas aldeias fica a Casa dos Guerreiros, um espaço central de socialização e tomada de decisões, além de ser um local de grande importância para a vida ritual da aldeia.

Dedicamos grande parte de nosso tempo e energia à organização e execução de rituais, precedidos de caçadas ou pescarias coletivas. A pintura corporal faz parte do cotidiano da aldeia, sendo esta atividade desempenhada pelas mulheres desde quando se tornam mães e representa uma característica bem marcante da nossa cultura. Temos muito orgulho da beleza de nossa pintura, dos nossos rituais e da nossa arte!

Desde o nosso encontro com o homem branco, passamos a lutar ativamente pela garantia de nossos direitos e territórios tradicionais. Hoje temos a nossa Terra e somos responsáveis pela conservação de uma grande área de florestas e cerrados, que contribui diretamente para a conservação da biodiversidade, assim como para a manutenção do regime de chuvas e do clima em todo o planeta. Na nossa mitologia, os índios, as plantas, os peixes e outros animais se misturam, se tornam parentes e se transformam, em grandes aventuras que só os mais velhos sabem contar bem. Essa cosmologia orienta nossa forma de entender e agir sobre o mundo e sobre o que chamamos natureza.

Região e Contexto

Os Mẽbêngôkre / Kayapó habitam hoje mais de 50 aldeias localizadas em seis Terras Indígenas (T.I.s Badjônkore, Baú, Capoto/Jarina, Kayapó, Las Casas e Menkragnoti) que somam uma área de cerca de 11 milhões de hectares no centro-sul do Pará e norte do Mato Grosso.

Nossas Terras estão localizadas na região conhecida como “arco do desmatamento” e vêm sofrendo nas últimas décadas uma enorme pressão com a chegada de estradas, hidrelétricas, com a abertura de grandes fazendas, e com a exploração de minérios e madeira. Neste contexto, nós Mẽbêngôkre e nossas organizações temos procurado valorizar os conhecimentos indígenas na gestão dos territórios, com base no uso sustentável das nossas florestas.

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