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::: Ropnó: A energia da cultura Mẽbêngôkre :::

Ropnó, na nossa língua Mẽbêngôkre significa literalmente “olho de onça”, é assim que denominamos as lanternas, e agora esta iniciativa que vai levar energia elétrica com painéis solares para a maior parte das aldeias associadas à AFP.


Ropnó, na nossa língua Mẽbêngôkre significa literalmente “olho de onça”, é assim que denominamos as lanternas, e agora esta iniciativa que vai levar energia elétrica com painéis solares para a maior parte das aldeias associadas à AFP. Dentro do mesmo projeto está prevista a construção de 17 casas de cultura, nas maiores aldeias, para servir de apoio ao grupo de cineastas indígenas do Coletivo Beture e a criação de uma base de dados nessas casas para acolher diferentes registros de conhecimento tradicional e de interesse geral das comunidades. Outro dos objetivos deste projeto é contribuir para a sustentabilidade das atividades cotidianas e cadeias produtivas como a coleta de castanha, cumarú e produção de artesanato ao diminuir o consumo de combustíveis fósseis que geralmente alimentam os motores geradores de energia. 


A demografia do povo Mẽbêngôkre Kayapó é dinâmica, fazemos um amplo uso de nosso território e com frequência procuramos lugares para criar novas aldeias, sendo assim, a AFP trabalha considerando uma variação no número de aldeias associadas. Devido ao fortalecimento da nossa organização ao longo dos anos, desde que o projeto no edital foi aprovado e a liberação efetiva do recurso em março de 2019, foi preciso fazer um ajuste na infraestrutura prevista para a instalação dos sistemas fotovoltaicos para adaptar-se ao aumento de aldeias associadas.   


Dentro do Componente Cultura, no Programa Geração e uso produtivo de energia nas aldeias e Subprograma: 3.3 Produção cultural, audiovisual e de energia fotovoltaica foi preciso realizar uma Visita Inicial às aldeias com o objetivo geral de atualizar e validar o Programa. Visitaram-se aldeias da TI Las Casas, TI Kayapó e TI Mekrangoti associadas, por via terrestre, fluvial e aérea pela equipe técnica, indígena e parceiros do projeto. O projeto foi apresentado para as comunidades e suas lideranças, escolheram-se 21 coordenadores nas diferentes aldeias visitadas para participar da capacitação e realizar periodicamente a manutenção do sistema. Cada comunidade decidiu o local onde vai ser construída sua Casa de Cultura e instalar o sistema fotovoltaico de acordo com as opções apresentadas para aldeias pequenas, médias e grandes; atendendo assim à necessidade de uma distribuição equitativa dos benefícios deste projeto para as aldeias associadas. 


Foi a nossa primeira atividade de campo e uma oportunidade para falar coletivamente de nosso projeto Território, cultura e autonomia Kayapó, assinado em março de 2019 e financiado pelo BNDES - Banco Nacional do Desenvolvimento por meio do Fundo Amazônia - FAM, assim como do nosso PGTA (Plano de Gestão Territorial e Ambiental) da TI Kayapó que será finalizado com esta iniciativa, trazendo assim uma ferramenta de gestão, participação comunitária e conservação ambiental para o nosso território.