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::: Oficina de Boas Práticas da Cadeia Produtiva do Cumarú / Kremyky :::

"É para não destruir a nossa floresta nem poluir o nosso rio que tem o nosso alimento, o peixe, caça, fruta. Isso é muito importante para todos que fazem parte da associação floresta protegida, são mais de 30 aldeias envolvidas nessa produção sustentável” Disse Thiago Bengoti, coordenador indígena da AFP, ao avaliar a oficina que ocorreu nesta quarta-feira 18 de Setembro.

A Cooperativa Kayapó de Produtos da Floresta – COOBÂ-Y valoriza as atividades tradicionais de nosso Povo, e um dos nossos trabalhos é no apoio à coleta e comercialização de sementes de cumaru / kremyky. Nosso objetivo é fortalecer o extrativismo sustentável e a comercialização dos produtos da floresta, valorizando nossa organização comunitária, agregando valor a nossos produtos e gerando renda. Este ano tivemos uma safra farta e de qualidade. Nesta oportunidade, com o apoio da Origens Brasil e com o intuito de aprimorar ainda mais essa cadeia produtiva e fortalecer a nossa parceria com a LUSH UK, empresa responsável pela compra da maior parte da nossa produção de cumaru, realizamos uma Oficina de Boas Práticas da Cadeia Produtiva do Cumarú. Estudamos coletivamente o Manual de Boas Práticas para o Fornecimento de Sementes de Cumarú, trocamos experiências de produção e realizamos uma visita guiada no nosso galpão de armazenamento.

As cadeias produtivas dos produtos sustentáveis da floresta se destacam por manter a floresta em pé, cuidar das pessoas envolvidas na sua produção e oferecer matéria prima de qualidade. No caso do kremyky, nosso trabalho começa no planejamento da colheita que envolve mapeamento das áreas, abertura de trilhas e registro de estimativas de produção. Durante a colheita, escolhem-se os melhores frutos e deixam-se na área uma boa quantidade deles para regeneração natural da espécie. Após a colheita vem a secagem e a quebra da casca para retirada da semente que segue por sua vez um processo de secagem que garante a qualidade e o melhor aproveitamento da semente.

"Nós temos a Associação Floresta Protegida AFP, e dentro dessa associação temos nossa cooperativa dos Kayapó. Todas as aldeias estão alegres de coletar tanto castanha como cumarú, que esse ano deu uma quantidade muito boa para vender. Aldeia Kubenkankren, Kedjerekran, A'ukre, Moikarakô, Kokraimoro e Kendjam são as aldeias que mais coletaram. É muito importante tirar esse produto, deixar a nossa floresta em pé, para ter o ar para todos e para o povo Mẽbêngôkre, é muito importante a gente trabalhar com semente da floresta para vender. É para não destruir a nossa floresta nem poluir o nosso rio que tem o nosso alimento, o peixe, caça, fruta. Isso é muito importante para todos que fazem parte da associação floresta protegida, são mais de 30 aldeias envolvidas nessa produção sustentável” Disse Thiago Bengoti, coordenador indígena da AFP, ao avaliar a oficina que ocorreu nesta quarta-feira 18 de Setembro.


📸 Carolina Sobreiro/AFP