Notícia

::: As Nire vão participar da política :::

A 1a Marcha das Mulheres Indígenas com o tema “Território: nosso corpo, nosso espírito”, reuniu 2.500 mulheres de 130 povos entre os dias 10 a 14 de Agosto de 2019. Organizada inicialmente pela APIB - Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, dezenas de organizações aderiram à iniciativa. A comitiva de mulheres Mẽbêngôkre-Kayapó do Sul do Pará, organizada por Maial Paiakan Kaiapó e O-e Paiakan Kaiapó, teve apoio da Associação Floresta Protegida.


A 1a Marcha das Mulheres Indígenas com o tema “Território: nosso corpo, nosso espírito”, reuniu 2.500 mulheres de 130 povos entre os dias 10 a 14 de Agosto de 2019. Organizada inicialmente pela APIB - Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, dezenas de organizações aderiram à iniciativa. A comitiva de mulheres Mẽbêngôkre-Kayapó do Sul do Pará, organizada por Maial Paiakan Kaiapó e O-e Paiakan Kaiapó, teve apoio da Associação Floresta Protegida.

Além da marcha, a programação do encontro incluiu discussões sobre o que é ser mulher e indígena, violações de direitos humanos, empoderamento político e representatividade para todas nós, atividades culturais e audiências com diferentes autoridades para levar as nossas reivindicações que dizem respeito a dar um basta ao genocídio que este governo está praticando contra todas nós e nossos povos, e que tem várias frentes.

Uma das frentes desse genocídio é institucional, que é o desmonte das políticas públicas que assistem nossa saúde, nossos direitos e o de nossos territórios, praticado pela conjunção dos poderes da bancada ruralista, a bancada evangélica e a irresponsabilidade de grandes empreendimentos. Essas forças econômicas e de poder influenciaram o desmonte da política ambiental e indigenista. Existe o genocídio epistemológico que concebe legítima a hegemonização e universalização do conhecimento científico a partir do viés euro-cêntrico.

Esse genocídio opera também no sentido de apagar a identidade daquela pessoa pelo que ela é, pelo que ela foi e pelo que ela projeta ser. Para ser o que somos, a terra, saúde e educação de acordo com a nossa cultura é fundamental. Respeitar nossos direitos é respeitar tudo o que é indispensável para que nós possamos ser e continuar sendo o que somos, mulheres Mẽbêngôkre. Repudiamos toda forma de genocídio contra nossa existência plena.

"Primeiramente agradeço minha irmã Maial Paiakan Kaiapó, por ter coletado doações de amigos, que nos permitiu levar as mulheres Kayapó do Pará. Bom! Foi muito proveitoso nossa participação porque pudemos compartilhar como é a luta pelos nossos direitos na cidade. Eu e a Maial Kaiapó, junto com as outras mulheres que estavam com a gente, pudemos ver como é a luta pelos nossos direitos na experiência de todas as mulheres que conhecemos, também demonstrar para a sociedade que nós mulheres indígenas estamos presentes, estamos aqui para somar com as demais parentes de diversas etnias. Participamos de rodas de conversa, onde vimos como é árdua a luta. Ao voltar a as aldeias todas vamos transmitir a experiência para a nossa comunidade. Estamos sempre preparadas para qualquer enfrentamento.” Disse O-e Paiakan Kaiapó ao avaliar sua gestão da comitiva de mulheres na marcha.


Assessoria de Comunicação AFP & O-e Paiakan Kaiapó