MONITORAMENTO TERRITORIAL E AMBIENTAL

As ações de monitoramento por via aérea, fluvial e terrestre tem dois objetivos principais. O primeiro é a obtenção de informações de campo que não podem ser adquiridas por meio remoto e, portanto, visam complementar o monitoramento remoto e subsidiar, de forma geral, as estratégias de proteção territorial. O segundo objetivo é o de incentivar os Kayapó a percorrerem e ocuparem de forma mais intensiva seu território com vistas a garantir sua integridade ambiental e contribuir para a transmissão de saberes entre as gerações. Estas ações visam contrapor a tendência de maior sedentarização das comunidades indígenas e de relações cada vez mais próximas entre aldeia e cidade, o que se associa com a mudanças na forma de se relacionar com o território indígena e seus recursos.

As expedições territoriais por via terrestre e fluvial, realizadas todos os anos, são organizadas por região e contam com a participação de indígenas de diferentes aldeias e idades. As expedições têm a sempre a participação de um técnico não indígena que tem a função de auxiliar no planejamento da ação, no registro de informações para a produção de relatórios, assim como na alimentação do banco de dados. As expedições de monitoramento territorial são organizadas conjuntamente, pela equipe da AFP e pelas comunidades Kayapó. As expedições não são realizadas em locais com comprovada ocorrência de ilícitos, já que o combate direto à ilícitos em Terra Indígena é um dever e uma prerrogativa do Estado.

Os sobrevoos tem o papel de verificar indícios de atividades ilícitas identificados tanto via SIG quanto através de informações das comunidades Kayapó. Confirmada a ocorrência de algum ilícito, a AFP informa os orgãos responsáveis (Funai e Ibama) para que possam avaliar os procedimentos necessários para o efetivo controle da atividade.

Paralelamente às ações in loco a AFP vem trabalhando desde 2009 com instituições parceiras para acessar e sistematizar informações geradas por imagens de satélite. Iniciamos em 2016 o processo de criação de banco de dados geoespacial, cujo objetivo principal é a organização e sistematização das informações coletas em campo e por via remota para garantir um registro histórico organizado de informações referentes aos territórios Kayapó, visando subsidiar a definição de estratégias de proteção territorial e a articulação com órgãos estatais relacionados à proteção ambiental e territorial. A Análise de dados espaciais e de sensoriamento remoto conta com uma rotina de coleta e processamento de dados provenientes das principais fontes produtoras e distribuidoras de informações referentes ao desmatamento e focos de calor na Amazônia a saber: Prodes (INPE); Deter; Sistema de Alerta de Desmatamento (IMAZON) e Focos de calor (INPE). Todas as informações são sistematizadas para a produção, ao fim de cada ano, de relatórios consolidados de todas as análises e informações obtidas no ano corrente.

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